terça-feira, 30 de agosto de 2011

Doação de sangue na Rua Coberta

Será um dos atrativos da Semana da Cidadania, que será realizada de 1º a 7 de Setembro em Igrejinha. Participe, seja um doador e ajude a salvar vidas!

Local: Praça Dona Luísa
Data: 1º/09 (quinta-feira)
Horário: das 9 horas ao meio-dia e das 13h30 às 16 horas.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Retrô - A lógica dos grenais


Texto que postei aqui no blog no dia 16/05:

Não foi preciso acompanhar mais do que alguns pares de anos de Gre-Nais renhidos para compreender que há sim uma lógica nesses confrontos.

Diz-se que em Gre-Nal não há favorito.

Há.

O favorito para ganhar um Gre-Nal sempre será a equipe que não estiver sendo apontada pela mídia como favorita. Será a equipe que estiver cheia de problemas internos, que jogar na casa do adversário, que entrar em campo com o descrédito até de sua própria torcida.

Quanto maior o favoritismo de um dos times, maior a sua chance de perder o jogo.

Essa é a lógica dos grenais.

sábado, 27 de agosto de 2011

Charge da semana


                                                O futuro da escola
 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Brita, a herança maldita


Já que a nossa história recente é sempre muito descuidada pelos estudiosos, vamos relembrar algumas coisas. Durante o governo de Antônio Britto no Rio Grande do Sul, há uns 15 anos, foram criados pólos rodoviários privados, que receberam a concessão de pedágios.

É o que aconteceu aqui com a nossa ERS-115, que ficou de responsabilidade da Brita Rodovias, que tinha SÓ O COMPROMISSO DE MANTER a estrada em boas condições, e que para isso sempre cobrou valores exorbitantes de pedágios.

O que aconteceu agora? A estrada está em frangalhos graças à INCOMPETÊNCIA da concessionária, e acabou sendo interditada, prejudicando toda a região.

Então, o que vai ser feito, incrivelmente, é que a Brita, para cumprir a sua OBRIGAÇÃO de consertar a estrada, vai cobrar a mais por isso. O dinheiro vai sair dos nossos bolsos, seja pagando impostos mais caros ou com abonos do governo para a empresa.

Eu não tenho a menor dúvida de que neste tipo de concessão, muita gente no governo sai ganhando e continua enchendo os bolsos por muito tempo com o nosso suado dinheiro.

 E não são os representantes que participaram da Audiência Pública desta semana, aqueles “coitados”, como muito bem definiu Erni Engelmann.

Parabéns pra vocês. Parabéns aos gênios de como se dar bem as custas dos outros. Parabéns pra corja do ex-governador Antônio Brito, que é o que existe de pior na história recente do Rio Grande. Alías, o homem saiu da vida pública por quê? Será que já enriqueceu o suficiente ou se deu conta de que hoje não seria eleito nem como síndico de um prédio?

Então, gênios, experimentem agora dormir sem a cabeça pesar nem um pouquinho no travesseiro.

Comprem isso com o dinheiro de vocês. 


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Crianças de circo


Ontem à noite eu perguntei pra minha mãe se ela lembrava o que eu queria ser quando tinha 5 anos de idade, mas claro, ela não lembrava: “Ai, Felipe, quanto tu era criança tu quis ser de tudo: médico, soldado, e até político!”

Isso confirma a minha tese de que criança não sabe o que quer, simplesmente porque...é criança. Então, quando aquela menina que se apresentou por essas terras no sábado, quando ela começou a apresentar-se em circo, ela tinha apenas 5 anos de idade, e também não devia saber o que queria da vida.

Hoje, se você perguntar para ela, é possível e até previsível que ela diga que ama a vida circense. Como poderia pensar diferente, se jamais teve outra perspectiva? Agora, o que mais me deixa indignado é saber o quanto isso mee com o algo tão importante na infância: o estudo.

E isso acontece por força da Legislação. A Lei 301/1948 ampara filhos de artistas de circo e militares, para que eles tenham uma vaga garantida em qualquer instituição estadual, mediante a apresentação do certificado de matrícula da escola da última localidade por onde tenham passado.

Olhem esse trecho que eu encontrei na internet:
"Tem lugares que a criança estuda só terça, quarta e quinta, e na sexta o circo vai embora. Eu mesmo terminei o segundo grau assim”, conta Marlon Pires, palhaço do circo Stankowich.

Você não precisa ser nenhum pedagogo para deduzir que estudar a cada semana em um colégio diferente prejudica o aprendizado de qualquer aluno. Ou pior, anula o aprendizado de qualquer aluno.

É assim que são as coisas. Os pais não querem deixar que outra pessoa tome conta de seu filho, mas também não querem sair do circo. O que fazem, então? Levam as crianças junto, e elas que aprendam a amar a arte circense, porque se elas não amarem...bem, elas não tem essa opção.

Já proibiram os animais em circos, mas nas crianças ninguém fala nada. No Brasil é assim. Mais fácil encontrar quem defenda os direitos dos animais do que quem defenda os direitos humanos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os olhos de Mel (parte 2)


Mais uma vez, Mel pensou primeiro em Toni. Pensou no amado com a ternura de sempre e decidiu não incomodá-lo com o problema, decidiu passar sozinha por aquela dor. Toni já vivia tão atarefado, porque preocupa-lo com algo sem solução?

Os dias passavam, Mel emagrecia cada vez mais, perdia a cor, perdia as forças, mas Toni nada percebia. Toni sabia que quando chegasse em casa haveria um prato quente de comida lhe esperando, sabia que o pijama estaria cuidadosamente dobrado, e além do mais, ele estava tão cansado naqueles últimos tempos, não poderia dar muita atenção para a vida doméstica.

Naquela madrugada de terça-feira, Mel sentiu-se ainda mais fraca do que o habitual. Os ruídos no banheiro indicavam que Toni preparava-se para tomar banho. Que horas seriam? Cinco da manhã talvez. Pela primeira vez em vários meses, Mel cogitou a possibilidade de não preparar o desjejum do namorado.

Mas não. Toni não poderia sair de casa sem se alimentar, e além do mais ele poderia ficar decepcionado. Com muito esforço, Mel conseguiu soerguer-se da cama e arrastar-se até a cozinha, onde com extrema dificuldade deixou tudo pronto a tempo.

Toni entrou na cozinha, resmungou um ‘diaa’ e já saia comendo uma banana, quando Mel lhe chamou:

- Não vai tomar café?

- Bah, to atrasado – falou com a boca cheia, sem nem olhar para a namorada.

-É que eu não estou me sentindo muito bem... – começou, vacilante – Será que tu não podias ficar em casa hoje comigo?

Toni olhou para a namorada, uma ruga formando-se em sua testa. Diante dele não havia mais a bela garota por quem ele havia se apaixonado, apenas uma figura precocemente envelhecida. Os olhos de Mel, antes tão vivos e verdes, agora estavam desbotados.

- Não tem como, Mel. To cheio de serviço hoje... Beijo! – gritou a última palavra, já do corredor.

Passavam das dez da noite quando Toni voltou para casa, cansado, como sempre. Na sala, Mel estava caída, uma foto do casal ao lado do rosto trigueiro. Possivelmente a última imagem que ela vira com seus destacados olhos verdes. Olhos que agora estavam vidrados.

Toni, ao se deparar com a cena, refletiu sobre todas essas coisas e saiu da casa. Saiu para nunca mais voltar.

Os olhos de Mel (parte 1)


Mel era uma menina em tudo doce, em tudo meiga, em tudo suave. Talvez isso despertasse nos homens algum desejo mais forte, talvez os homens simplesmente dessem em cima dela porque, afinal, os homens dão em cima das mulheres mesmo.

Mas Mel repelia a todos. Mel, é importante que se diga, tinha uma característica que a diferenciava de todas as outras garotas da escola: era dona de estupendos olhos verdes. Sabe aqueles olhos em que você mergulha, se perde e quase se afoga? Pois é.

Então, quando Mel, que sempre rejeitava os homens com o mesmo desdém de um gremista recusando uma camisa colorada, quando Mel, com seus olhos de esmeralda, viu Toni pela primeira vez, ela teve a certeza de que aquele era o homem da sua vida.

E de fato, não tardou para que começassem a namorar. Toni era do tipo relapso, esquecia datas, quase nunca tinha dinheiro para presentes, mas Mel amava-o loucamente, e loucamente mimava-o com visitinhas surpresinhas, perfuminhos, massagensinhas, você sabe.

Depois de alguns anos, quando Toni começou a prosperar em sua vida de advogado recém formado, Mel decidiu ajuda-lo ainda mais. Pensava em filhos, em casamento, em viajarem juntos talvez, mas não, ela sabia que aquele era o momento de ajudar ao namorado.

E Mel o ajudou. Foi guerreira como só uma mulher pode ser. Deixou de comprar roupas novas, de arrumar-se, vivia para Toni. Os resultados apareciam. Depois de muito esforço, o advogado conseguiu comprar um apartamento no Centro da cidade para receber seus clientes, com livros de grandes lombadas, poltronas confortáveis, ar-condicionado e essas frescuras todas.

Mel animava-se por isso, mas sentia-se cada dia mais desanimada. Cada dia mais fraca, Mel adoecia lentamente. Toni saía cedo de casa e chegava tarde da noite, não tinha mais tempo sequer para fitar os olhos da amada, olhos que já haviam fascinado tantos homens e despertado tanta inveja.

Até que em um dia bonito de sol, o universo de Mel escureceu. A descoberta da leucemia parecia uma brincadeira de mau gosto, não era possível que ela, tão jovem, tão cheia de vida, pudesse estar em um estado tão avançado da doença, tão próxima do fim.