*Publicado no Jornal Integração no dia 05/06/2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Eu tive que dizer
Eu sei que ele estava com um pouco de pressa, mas eu tive que dizer: "cara, os meus colegas da Letras te detestam, mas eu realmente gosto do que tu escreve".
sábado, 2 de junho de 2012
Preciosidade descoberta
Assisti ontem à noite a um bate-papo papo com a escritora
Cláudia Tajes, e depois à peça Dez Quase Amores, baseada no seu primeiro livro.
Eu já tinha lido o livro, que é realmente muito bom, e devo dizer que a peça
não fica devendo em nada para a história original. Muito boa também.
O que mais me chamou atenção, no entanto, foi a escritora. É
que a Cláudia Tajes é modesta. Tímida até. Dois predicados que eu não esperava
que ela tivesse, pelo estilo sem papas na língua usado para escrever e por tudo
o que ela conquistou nos últimos anos, se tornando até roteirista da Globo.
A Cláudia contou que há mais ou menos dez anos levou o seu
primeiro livro pronto para a Editora “na maior cara de pau”. Mesmo com o
sucesso da autora depois disso, muita coisa poderia ter acontecido e feito com
que tudo transcorresse de um jeito diferente.
A escritora poderia não ter dito a tal cara de pau e nunca
ter ido até a Editora. Ou ainda, a Editora poderia recusar o trabalho, mesmo
sendo um ótimo trabalho, porque isso acontece todos os dias no Brasil.
Mas não. Uma combinação de talento e um pouco de sorte
alçaram Cláudia Tajes a um lugar ao sol. Tantos são os que não conseguem,
tantos são os bons, os talentosos, que nunca serão descobertos... E quantas
histórias deixaremos de ler, quantas músicas jamais serão ouvidas...
Entre tantas preciosidades que nunca serão conhecidas,
Cláudia Tajes mostra que tem potencial para continuar entre os grandes
escritores gaúchos da atualidade.
Melhor pra todos nós.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Insônia
Os latidos distantes de um cachorro qualquer despertam
Pedro, que tateia na mesa de cabeceira até encontrar o celular e ver a hora:
23:50.
“Não posso acreditar que faz só meia hora que
eu to na cama”, pensa. Os lençóis grudam em sua pele empapada de suor, e
Pedro sente, com uma sensação de agonia
a invadir-lhe lentamente, que agora vai demorar pra conseguir adormecer novamente.
A hora de dormir é sempre o pior momento do dia para ele,
que então se sente melancolicamente solitário dentro de uma casa escura e quieta como um túmulo. Nos últimos tempos a solidão
tem chegado em forma de insônia, pontuando a noite com lembranças,
arrependimentos e devaneios que para Pedro parecem infindáveis.
“Será que estou
ficando louco?”, pergunta-se. E então pensa que a linha que separa a
loucura da lucidez é muito, muito tênue, para depois questionar-se se este não
seria mais um devaneio sem sentido.
Sente a garganta seca. Vai levantar. Faz menção de ir
algumas vezes, mas desiste. Bom mesmo seria morrer de sede. Mas ninguém morre
de sede por aqui, muito menos durante a madrugada. A sede só incomoda, nada mais. E Pedro sente o incômodo como algo
bom. A dor também é boa, porque lhe
mostra que ele ainda está vivo, que é capaz de sentir.
Meu Deus, se eu
tivesse ido logo tomar água não ficava pensando nisso tudo e ainda por cima
matava a minha sede.
“Só foge da solidão
quem tem medo dos próprios pensamentos”, lera em um livro do Veríssimo. O
Veríssimo sabia das coisas, mas Pedro sabe também que não se encaixa na frase. Não
totalmente. Sente-se um menino desamparado frente à solidão fria e cruel da
noite, é verdade, mas foge dela? Não! Ele a encara. Sofre, pensa bobagens; mas sempre sobrevive.
A garganta implora por água. Deus, que calor infernal! Deus e inferno na mesma frase dão a Pedro
uma vaga sensação de medo da morte. Inferno
mesmo deve ser uma noite de insônia em que o sol nunca vem, pensa. Mas e o
Paraíso? Será que existe mesmo? Se existir, Pedro não vai poder entrar. Cometeu
o pecado da descrença, mesmo que ninguém
possa controlar o que sente ou acredita.
Se ao menos a garganta não estivesse seca, se ao menos chovesse,
se ao menos os lençóis não estivessem tão pegajosos, se ao menos os seus
pensamentos lhe dessem trégua por um instante breve que fosse, talvez Pedro
conseguisse dormir...
Os minutos se sucedem lentamente. Ao longe, o cachorro torna a latir. É o único companheiro de insônia de Pedro.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Quando eu fico do lado do vilão
Uma vez, alguém me disse: “credo, parece que tu só gosta de
vilão!”. É que nas novelas da Globo os mocinhos são muito sem sal. São arroz
doce, como diria uma expressão do filme Se Beber Não Case 2.
E por isso, às vezes o mocinho me irrita tanto que eu torço mesmo
para o vilão. Porque o bonzinho da história deveria saber ver a maldade onde a
maldade existe, mas ele é quase sempre o ingênuo, o coitadinho.
Ahá! Agora tocamos na ferida. É disso que eu não gosto. De
coitadinhos. Eu não suporto quem tem pena de si mesmo. Quem tem pena de si
mesmo, ao se sentir injustiçado pelo destino, acaba se acomodando. Ele pensa
assim: “As coisas são desse jeito porque são”. Ele nunca imagina que poderia
ser diferente se as suas escolhas tivessem sido outras e nem enxerga soluções
para sair da situação em que está, porque considera que nasceu para ser
injustiçado e pronto.
Não é assim que tem que ser. Sou fã de carteirinha do Existencialismo,
que prega sermos soberanos senhores do nosso destino. Quando Sartre diz que “somos
condenados a ser livres”, é isso que ele quer dizer. Que as nossas escolhas
terão conseqüências, algumas imprevisíveis, mas acima disso, que nós PODEMOS
fazer escolhas.
E essa liberdade é a liberdade que não tem preço, e que não
nos proíbe nem mesmo sermos coitadinhos se quisermos. Mas é melhor a gente não
querer isso.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A manchete que induz
Corrigindo o Jornal RS115, a manchete correta seria: “Hospital
Bom Pastor é ACUSADO de abandonar paciente”. O jornal dá a manchete como se o
fato realmente tivesse ocorrido. Não vou tomar partido porque não sei
exatamente o que aconteceu. Nem o jornal sabe. Quem deve investigar e apontar
culpa, se houver, é a Justiça.
Quando um jornal que já foi bom no passado, mas que
atualmente só publica releases, resolve julgar no lugar da Justiça e tomar uma
abordagem política sobre um fato tão grave, quem perde é toda a sociedade.
Espero que a Justiça seja feita e que nesse 2012, que é ano
eleitoral, as coisas se façam pelas PESSOAS, que são quem realmente importa
nesse processo todo. Quando os cidadãos são agredidos moralmente, em qualquer
âmbito e por qualquer motivo, Igrejinha se torna um lugar pior de se viver, e o
que realmente importa é esquecido.
E repito: o que realmente importa são AS PESSOAS.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Sugestão ao legislativo igrejinhense
Em Porto Alegre há uma lei municipal que regula o tempo de espera por atendimento nas agências bancárias - 15 minutos para dias normais e 20 minutos para véspera ou após feriados e em dias de pagamentos de funcionários públicos.
Pois bem. Não sei se há algo semelhante por aqui, mas creio que não, já que na
tarde de ontem fui com um amigo até a agência do Banrisul de Igrejinha e
esperamos na fila por inacreditáveis 71 MINUTOS, como se as pessoas não
tivessem mais nada para fazer durante a tarde além de pagar contas.
Como eu sei que muitos vereadores e assessores acompanham as redes sociais, sugiro aos Edis que se estude a possibilidade de criação de uma lei municipal semelhante à de Porto Alegre, pois acredito que melhoraria muito essa situação.
Como eu sei que muitos vereadores e assessores acompanham as redes sociais, sugiro aos Edis que se estude a possibilidade de criação de uma lei municipal semelhante à de Porto Alegre, pois acredito que melhoraria muito essa situação.
Grato!
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